Inventos do Século XIX (txt)
Novembro 21, 2006
(…)Subitamente, a um canto, repicou a campainha do telefone. E enquanto o meu amigo, curvado sobre a placa, murmurava impaciente “Está lá? – Está lá?”, examinei curiosamente, sobre a sua imensa mesa de trabalho, uma estranha e miúda legião de instrumentozinhos de níquel, de aço, de cobre, de ferro, com gumes, com argolas, com tenazes, com ganchos, com dentes, expressivos todos, de utilidades misteriosas. Tomei um que tentei manejar – e logo uma ponta malévola me picou um dedo. Nesse instante rompeu de outro canto um tiquetique açodado, quase ansioso. Jacinto acudiu, com a face no telefone:
-Vê aí o telégrafo!… Ao pé do divã. Uma tira de papel que deve estar a correr.
-E, com efeito, duma redoma de vidro posta numa coluna, e contendo um aparelho esperto e diligente, escorria para o tapete como uma tênia, a longa tira de papel com caracteres impressos, que eu, homem das serras, apanhei, maravilhado. A linha, traçada em azul, anunciava ao meu amigo Jacinto que a fragata russa Azoff entrara em Marselha com avaria!
Já ele abandonara o telefone. (…)
Eça de Queiroz, A Cidade e as Serras, 1901
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1.
ines | Janeiro 1, 2008 at 4:21 pm
gostei muito de este blog porque eu gosto muito de historia e ando no quinto ano e agora neste periudo tirei 5 a h.g.p e nos testes sempre exelente e para ajudar a minha professora e super sinpatica e divertida