O Ultimato Inglês de 1890 (doc)

“O Governo de Sua Majestade Britânica não pode aceitar, como satisfatórias ou suficientes, as seguranças dadas pelo Governo Português, tais como as interpreta.

O Cônsul interino de Sua Majestade em Moçambique telegrafou, citando o próprio major Serpa Pinto, que a expedição estava ainda ocupando o Chire, e que Katunga e outros lugares mais no território dos Makololos iam ser fortificados e receberiam guarnições. O que o Governo de Sua Majestade deseja e em que mais insiste é no seguinte:
Que se enviem ao governador de Moçambique instruções telegráficas imediatas para que todas e quaisquer forças militares portuguesas actualmente no Chire e nos países dos Makololos e Mashonas se retirem.

O Governo de Sua Majestade entende que, sem isto, as seguranças dadas pelo Governo Português são ilusórias.

Mr. Petre ver-se-á obrigado, à vista das suas instruções, a deixar imediatamente Lisboa, com todos os membros da sua legação, se uma resposta satisfatória à precedente intimação não for por ele recebida esta tarde; e o navio de Sua Majestade, Enchantress, está em Vigo esperando as suas ordens.

Legação Britânica, 11 de Janeiro de 1890.”

Fonte: Marques, A. H. de Oliveira, História de Portugal, vol. III, Lisboa, Palas Editores, 1986

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Altamira-cena de caça (ima)

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Arte rupestre – Altamira (ima)

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Vénus de Willendorf (ima)

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Arte rupestre-bisonte (ima)

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Grupos Sociais na Idade Média (ima)

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O Terramoto de 1755 (txt)

(…)

Dentro em breve ia começar a missa das dez horas, a mais demorada, a mais brilhante, com os órgãos, os coros, o grande desfile dos oficiantes de sobrepelizes bordadas, a exposição das relíquias miraculosas.

 (…)

Estava na hora. Vibravam todos os sinos. As pombas fugiam, em bando murmurante, tecendo longas faixas no céu. Distinguiam-se as enxárcias de todos os barcos que estavam no Tejo.

Mas, no momento em que a voz de bronze punha em desordem os ecos das sete colinas, a terra, bruscamente, moveu-se. Os marinheiros que estavam no estuário viram Lisboa com os seus palácios, as suas torres, as suas flechas, as suas cúpulas, mover-se como uma seara agitada pelo vento.Nas ruas, as parelhas, os telheiros, as bancas voltaram-se de pernas para o ar. Os barris rebolavam e espatifavam-se. As pessoas eram atiradas para o chão. Nas casas, partiam-se os candeeiros, caíam os móveis, as paredes rachavam, os tectos abatiam. E, nas igrejas, os púlpitos cediam sob o peso dos órgãos despedaçados, os vitrais estilhaçavam-se, os portões de grades abatiam. As pessoas atropelavam-se baldadamente para alcançarem uma saída. Umas eram espezinhadas, outras esmagadas sob pedaços de pedra ou de bronze que caíam dos campanários. E do solo estalado esfuziavam feixes de vapor e enxofre.

Durante seis minutos intermináveis, a cidade oscilou nos seus alicerces, dilacerou-se e vacilou. Depois voltou a calma, cortada de lamentos e gritos.

(…) 

Chantal, Suzanne, A Vida Quotidiana em Portugal ao Tempo do Terramoto,Lisboa, Livros do Brasil, s.d.

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Armada de Pedro Álvares Cabral (ima)

Armada de Pedro Álvares Cabral

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Carta a el-rei D. Manuel sobre o achamento do Brasil (doc)

SENHOR, posto que o capitão-mor desta vossa frota e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a nova do achamento desta vossa terra nova, que se ora nesta navegação achou, não deixarei também de dar disso minha conta a Vossa Alteza, assim como eu melhor puder, ainda que para o bem contar e falar o saiba pior que todos fazer. Mas tome Vossa Alteza minha ignorância por boa vontade, a qual, bem certo, creia que por afremosentar nem afear haja aqui de pôr mais do que aquilo que vi e me pareceu. Da marinhagem e singraduras do caminho não darei aqui conta a Vossa Alteza, porque o não saberei fazer e os pilotos devem ter esse cuidado. E, portanto, Senhor, do que hei-de falar começo e digo que a partida de Belém, como Vossa Alteza sabe, foi segunda-feira, 9 de Março. E sábado, 14 do dito mês, entre as 8 e 9 horas, nos achámos entre as Canárias, mais perto da Grã Canária. E ali andámos todo aquele dia, em calma, à vista delas, obra de três ou quatro léguas.
E domingo, 22 do dito mês, às 10 horas, pouco mais ou menos, houvemos vista das ilhas do Cabo Verde, isto é, da ilha de S. Nicolau, segundo dito de Pêro Escolar, piloto.
E a noute seguinte, à segunda-feira, quando lhe amanheceu, se perdeu da frota Vasco d’Ataíde, com a sua nau, sem aí haver tempo forte nem contrairo para poder ser. Fez o capitão suas diligências para o achar, a umas e a outras partes, e não apareceu mais.
[Terça-feira, 21 de Abril de 1500. Sinais de terra] E assim seguimos nosso caminho por este mar, de longo, até terça-feira d’oitavas de Páscoa, que foram 21 dias d’Abril, que topámos alguns sinais de terra, sendo da dita ilha, segundo os pilotos diziam, obra de 660 ou 670 léguas, os quais eram muita quantidade d’ervas compridas, a que os mareantes chamam botelho e assim outras, a que também chamam rabo d’asno.
[Quarta-feira, 22 de Abril] E à quarta-feira seguinte, pela ma- //-nhã, topámos aves, a que chamam fura-buchos. E neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra, isto é, primeiramente d’um grande monte, mui alto e redondo, e d’outras serras mais baixas a sul dele e de terra chã com grandes arvoredos, ao qual monte alto o capitão pôs nome o Monte Pascoal e à terra a Terra de Vera Cruz.
[Quinta-feira, 23 de Abril] Mandou lançar o prumo, acharam 25 braças, e, ao sol-posto, obra de 6 léguas de terra, surgimos âncoras em 19 braças; ancoragem limpa. Ali ficámos toda aquela noute. E à quinta-feira, pela manhã, fizemos vela e seguimos direitos à terra e os navios pequenos diante, indo por 17, 16, 15, 14, 13, 12, 10 e 9 braças até meia légua de terra, onde todos lançámos âncoras em direito da boca dum rio. E chegaríamos a esta ancoragem às 10 horas, pouco mais ou menos.
E dali houvemos vista d’homens, que andavam pela praia, de 7 ou 8, segundo os navios pequenos disseram, por chegarem primeiro. Ali lançámos os batéis e esquifes fora e vieram logo todos os capitães das naus a esta nau do capitão-mor e ali falaram. E o capitão mandou no batel, em terra, Nicolau Coelho, para ver aquele rio. E, tanto que ele começou para lá d’ir, acudiram pela praia homens, quando dous, quando três, de maneira que, quando o batel chegou à boca do rio, eram ali 18 ou 20 homens, pardos, todos nus, sem nenhuma cousa que lhes cobrisse suas vergonhas. Traziam arcos nas mãos e suas setas. Vinham todos rijos para o batel e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pusessem os arcos; e eles os puseram. […]
 

Texto integral em: http://bnd.bn.pt/ed/viagens/brasil/obras/carta_pvcaminha/index.html 

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Regicídio visto pelo rei D.Manuel II (doc)

“Há já uns poucos de dias que tinha a ideia de escrever para mim estas notas intimas, desde o dia 1 de Fevereiro de 1908, dia do horroroso atentado no qual perdi barbaramente assassinados o meu querido Pae e o meu querido Irmão. Isto que aqui escrevo é ao correr da pena mas vou dizer franca e claramente e também sem estilo tudo o que se passou. Talvez isto seja curioso para mim mesmo um dia se Deus me der vida e saúde. Isto é uma declaração que faço a mim mesmo. Como isto é uma historia intima do meu reinado vou inicia-la pelo horroroso e cruel atentado.

No dia 1 de Fevereiro regressavam Suas Magestades El-Rei D. Carlos I a Rainha a senhora D. Amélia e Sua Alteza o Principe Real de Villa Viçosa onde ainda tinha ficado. Eu tinha vindo mais cedo (uns dias antes) por causa dos meus estudos de preparação para a Escola Naval. Tinha ido passar dois a Villa Viçosa tinha regressado novamente a Lisboa.

Na capital estava tudo num estado excitação extraordinária: bem se viu aqui no dia 28 de Janeiro em que houve uma tentativa de revolução a qual não venceu. Nessa tentativa estava implicada muita gente: foi depois dessa noite de 28, que o Ministro da Justiça Teixeira d’Abreu levou a Villa Viçosa o famoso decreto que foi publicado em 31 de Janeiro. Foi uma triste coincidência ter rubricado nesse dia de aniversário da revolta do Porto. Meu Pae não tinha nenhuma vontade de voltar para Lisboa. Bem lembro que se estava para voltar para Lisboa 15 dias antes e que meu Pae quis ficar em Villa Viçosa: Minha Mãe pelo contrário queria forçosamente vir. Recordo-me perfeitamente desta frase que me disse na vespera ou no próprio dia que regressei a Lisboa depois de eu ter estado dois dias em Villa Viçosa. “Só se eu quebrar uma perna é que não volto para Lisboa no dia 1 de Fevereiro. Melhor teria sido que não tivessem voltado porque não tinha eu perdido dois entes tão queridos e não me achava hoje Rei! Enfim, seja feita a Vossa vontade Meu Deus!

Mas voltando ao tal decreto de 31 de Janeiro. Já estavam presas diferentes pessoas politicas importantes. António José d’Almeida, republicano e antigo deputado, João Chagas, republicano, João Pinto dos Santos, dissidente e antigo deputado, Visconde de Ribeira Brava e outros. Este António José d’Almeida é um dos mais sérios republicanos e é um convicto, segundo dizem. João Pinto dos Santos, é também um dos mais sérios do seu partido. O Visconde de Ribeira Brava, não presta para muito e tinha sido preso com as armas na mão no dia 28 de Janeiro. Mas o António José d’Almeida e João Pinto dos Santos não podiam ser julgados senão pela Câmara como deputados da última Câmara. Ora creio que a tensão do Governo era mandar alguns para Timor tirando assim por um decreto dictatorial um dos mais importantes direitos dos deputados. O Conselheiro José Maria de Alpoim par do Reino e chefe do partido dissidente tinha tido a sua casa cercada pela policia mas depois tinha fugido para Espanha. Um outro dissidente também tinha fugido para Espanha e lá andou disfarçado. Outro que tinha sido preso foi o Afonso Costa: este é do pior do que existe não só em Portugal mas em todo mundo; é medroso e covarde, mas inteligente e para chegar aos seus fins qualquer pouca vergonha lhe é indiferente. Mas isto tudo é apenas para entrar depois mais detalhadamente na história íntima do meu reinado.

Como disse mais atrás eu estava em Lisboa quando foi 28 de Janeiro; houve uma pessoa minha amiga (que se não me engano foi o meu professor Abel Fontoura da Costa) que disse a um dos Ministros que eu gostava de saber um pouco o que se passava, porque isto estava num tal estado de excitação. O João Franco escreveu-me então uma carta que eu tenho a maior pena de ter rasgado, porque nessa carta dizia-me que tudo estava sossegado e que não havia nada a recear! Que cegueira!

Mas passemos agora ao fatal dia 1 de Fevereiro de 1908 sábado. De manhã tinha eu tido o Marquês Leitão e o King. Almocei tranquilamente com o Visconde d’Asseca e o Kerausch. Depois do almoço estive a tocar piano, muito contente porque naquele dia dava-se pela primeira vez “Tristão e Ysolda” de Wagner em S. Carlos. Na vespera tinha estado tocando a 4 mãos com o meu querido mestre Alexandre Rey Colaço o Septuor de Beethoven, que era, e é uma das obras que mais aprecio deste génio musical. Depois do almoço à hora habitual quer dizer às 13:15h comecei a minha lição com o Fontoura da Costa, porque ele tinha trocado as horas da lição com o Padre Fiadeiro. A hora do Fontoura era às 17:30h. acabei com o Fontoura às 15 horas e pouco depois recebi um telegrama da minha adorada Mãe dizendo-me que tinha havido um descarrilamento na Casa-Branca, mas não tinha acontecido nada, mas que vinham com três quartos de hora de atraso. Vendo que nada tinha acontecido dei graças a Deus, mas nem me passou pela mente, como se pode calcular o que havia de acontecer. Agora pergunto-me eu aquele descarrilamento foi um simples acaso? Ou foi premeditado para que houvesse um atraso e se chegasse mais tarde? Não sei. Hoje fiquei em dúvida. Depois do horror que se passou fica-se duvidando de muita coisa. Um pouco depois das 4 horas saí do Paço das Necessidades num “landau” com o Visconde d’Asseca em direcção ao Terreiro do Paço para esperarmos Suas Magestades e Alteza. Fomos pela Pampulha, Janelas Verdes, Aterro e Rua do Arsenal. Chegámos ao Terreiro do Paço. Na estação estava muita gente da corte e mesmo sem ser. Conversei primeiro com o Ministro da Guerra Vasconcellos Porto, talvez o Ministro de quem eu mais gostava no Ministério do João Franco. Disse-me que tudo estava bem.

Esperamos muito tempo; finalmente chegou o barco em que vinham os meus Paes e o meu Irmão. Abracei-os e viemos seguindo até a porta onde entramos para a carruagem os quatro. No fundo a minha adorada Mãe dando a esquerda ao meu pobre Pae. O meu chorado Irmão deante do meu Pae e eu deante da minha mãe. Sobretudo o que agora vou escrever é que me custa mais: ao pensar no momento horroroso que passei confundem-se-me as ideias. Que tarde e que noite mais atroz! Ninguem n’este mundo pode calcular, não, sonhar o que foi.creio que só a minha pobre e adorada Mãe e Eu podemos saber bem o que isto é! vou agora contar o que se passou n’aquella historica Praça.

Sahimos da estação bastante devagar. Minha mãe vinha-me a contar como se tinha passado o descarrilamento na Casa-Branca quando se ouvio o primeiro tiro no Terreiro do Paço, mas que eu não ouvi: era sem duvida um signal: signal para começar aquella monstrosidade infame, porque pode-se dizer e digo que foi o signal para começar a batida. Foi a mesma coisa do que se faz n’uma batida às feras: sabe-se que tem de passar por caminho certo: quando entra n’esse caminho dá-se o signal e começa o fogo! Infames! Eu estava olhando para o lado da estatua de D. José e vi um homem de barba preta , com um grande “gabão”. Vi esse homem abrir a capa e tirar uma carabina. Eu estava tão longe de pensar n’um horror d’estes que me disse para mim mesmo, sabendo o estado exaltação em que isto tudo estava “que má brincadeira”. O homem sahiu do passeio e veio se pôr atraz da carruagem e começou a fazer fogo.

Quando vi o tal homem das barbas que tinha uma cara de meter medo, apontar sobre a carruagem percebi bem, infelizmente o que era. Meu Deus que horror. O que então se passou só Deus minha mãe e eu sabemos;(…).»

in: http://historiaaberta.com.sapo.pt/lib/doc012.htm

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Foral de Pinhão Cel (doc)

Foral de Pinhão Cel
Concedida por Dom Afonso III, em 6 de Agosto de 1224.Em nome de Cristo, saibam todos os que virem a presente carta que eu, Afonso, por Graça de Deus, Rei de Portugal, conde de Bolonha, juntamente com a minha esposa, Rainha Dona Beatriz, filha do Ilustre Rei de Castela e Leão, dou e concedo a vós, João Egeae, Martinho Egee, Martinho Domingues e Martinho Gonçalves, o meu regalengo de Panóias para ser povoado, o qual é vulgarmente chamado de Pinhão Cel. Evidentemente, na condição de que cada um de vós me dê e aos meus sucessores, em cada ano, de cada um dos casais, seis quartários de pão, por medida de Constantim, meio de centeio e meio de tremesino, e deveis dar-me este pão no dia de S. Miguel, em Setembro, pela tacigam de Constantim. E, todos os povoadores, em conjunto dar-me-ão dois carneiros de um ano, com quatros pães como os fazeis nas vossas casas. E deveis dar-me isto no primeiro dia de Maio. E se matardes um urso, dar-me-eis a mão dele, do porco montês e do cervo dar-me-eis o lombo. E, se o mordomo não for receber estas jugadas, no dia de São Miguel, nesse ano, não respondereis por essas jugadas. Dareis para o bodo, cada um, sua teigam de pão mediado e, não pagareis senão por três crimes: o rousso, o homicídio e o esterco na boca; e, por cada um deles, pagareis quarenta morabitinos; e, destes morabitinos, metade são-me devidos a mim e a outra metade pertence-vos a vós; e, estes crimes devem ser provados com o testemunho de homens bons; o furto deve ser compensado nove vezes. Escolhei um mordomo para a vossa vila e esse, que for mordomo, não pague foro no ano em que o for. A fiança nessa vila não seja mais que uma cera. Não vades ao fossado, nem ao apelido, nem com o meu séquito e, não vades comigo, a não ser até ao Douro de uma parte, não vades comigo a não ser até ao Castelo de São Cristovão, e de outra parte, não vades comigo além de Murça. Não pagueis portagem em toda a Terra de Panóias. O mordomo não ouse entrar na vossa vila com a intenção de vos fazer mal e, se aí entrar e, se vos prejudicar e, se vos maltratar, não pagareis coima. Se quiserdes, fareis a defesa na vossa vila e, que ninguém aí se sirva dos montes, a não ser pela vossa vontade; e, se alguém se servir dos montes sem o vosso consentimento, devem pagar-vos cinco morabitinos. Dar-me-eis este foro e não mais. Dou-vos e concedo-vos o meu regalengo, com todos os seus termos, novos e velhos, que dividem pela encosta de Pinhão Cel, sobem até à Foz do Sabugueiro, pelo ribeiro, ascendem até ao Neiva e dividem com São Tiago, vão ao Poisadoiro e, daí à Corvaceira Menor e à Corvaceira Maior, daí ao Boi Morto e, daí para as águas vertentes, passa pelo cimo da Cobreira e, daí vai aos Agudelos, daí divide com Jales e vem até à foz de Pinhão Cel, onde começamos. Vós e toda a vossa descendência tereis para sempre este meu regalengo de Pinhão Cel. E, para testemunho do facto, dou aos referidos povoadores de Pinhão Cel esta minha carta aberta e corroborada com o meu selo de garantia. Dada em Lamego, por ordem do Rei, no dia 6 de Agosto de 1262 (1224 da era actual).Confirmaram: Dom João Afonso, tenente do Minho Litoral; Dom Egídio Martinho, mordomo da Cúria; Dom Menendus Garciae, tenente de Panóias; Dom Gonçalvo Garciae, tenente de Numão; Dom Fernando Lupi, tenente de Bragança; Dom Afonso Lupi, tenente de Sousa; Dom Dídico Lupi, tenente de Lamego; Dom Pedro Poncii, tenente de Seia; Dom João, arcebispo de Braga; Dom Juliano, bispo do Porto; Dom Egas, bispo de Lamego; Dom Rodrigo, bispo egitaniense ; Dom Arias, bispo de Lisboa; Dom Martinho, bispo de Évora; Dom Mateus eleito por Viseu. Foram testemunhas: Dom Estêvão João, chancelário da Cúria; Dom Martinho Peres, clérigo e Pelágio Plasgii, juiz superior. Domingos Vicente escreveu.

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A Frigideira – Tarrafal (doc)

“A frigideira era uma construção em cimento, fechada, completamente fechada, com as paredes, o chão e o tecto em cimento. Uma caixa rectangular com uns cinco a seis metros de comprimento por três de largura. Um bloco interiormente dividido ao meio por uma parede a separar duas celas, cada uma com a sua porta de ferro, que se abriam em sentidos opostos. As portas de ferro tinham meia dúzia de orificiozinhos de diâmetro inferior a um centímetro por onde se fazia um simulacro de arejamento. Por cima das portas, junto ao tecto, uma pequena fresta gradeada. Mais nada. O arejamento só podia ser feito quando a porta se abrisse para logo ser fechada, o que acontecia apenas de manhã e à tarde no momento da entrega das “refeições”, refeições cujo significado, neste caso, exprime um sentido grotesco.
Axfixiava-se ali dentro. A altura, no interior de cada uma das celas, seria de uns dois metros e meio no máximo, era, de facto, uma caixa completamente fechada e durante todo o dia estava sob a acção permanente do sol, por ter sido construída num local completamente isolado e sem hipóteses de sombra. Apanhava sol durante o dia inteiro. À noite, claro, sofria as consequências da temperatura que, em certas épocas do ano, naquela parte do arquipélago, é muito acentuada nas mudanças do dia para a noite.
Quando se estava na frigideira- e aconteceu estarem doze homens numa só cela- a humidade da respiração condensava-se nas paredes por onde escorria.
Não é necessário ter muita imaginação para se fazer uma ideia do que podia acontecer quando doze homens tentavam respirar dentro de uma caixa daquelas, com o sol tropical a aquecer pelo exterior, e onde a evaporação do ar respirado escorria pelas paredes. Os corpos encharcados, o ar sem oxigénio sufocante, a fazer o sangue latejar nas fontes, os peitos oprimidos numa semiasfixia de endoidecer, com toda aquela humidade viscosa, acicatada pelos ácidos pútridos do latão dos dejectos de que todos eram obrigados a servir-se; um buraco enfim, onde os homens eram tratados pior que animais.
Vários homens juntos, uma semana, duas semanas, sem qualquer interrupção, alimentados um dia a pão e água, outro dia a pão e caldo de sopa, alternadamente, como determinava a ordem do dia, que estabelecia o regime dos castigados. Além disso, pior também do que animais, tendo por cama o chão nu e áspero do cimento e por cobertor apenas o peso da atmosfera saturada e pestilenta.
Essa foi uma das invenções do “cristianíssimo” fascismo deste país de brandos costumes”.

Gilberto Oliveira
“Memória Viva do Tarrafal”
Edições Avante!, 1987

Citado por Sandra Cristina Almeida em:

http://historiaeciencia.weblog.com.pt/arquivo/060720.html

Add comment Outubro 28, 2006

1º Comunicado do MFA (doc)

Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas.
As Forças Armadas Portuguesas apelam para todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas, nas quais se devem conservar com a máxima calma. Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal para o que apelamos para o bom senso dos comandos das forças militarizadas no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderá conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os portugueses, o que há que evitar a todo o custo.
Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica, esperando a sua acorrência aos hospitais, a fim de prestar a sua eventual colaboração que se deseja, sinceramente, desnecessária.

Comunicado transmitido às 4h20m do dia 25 de Abril de 1974, aos microfones do Rádio Clube Português, lido pelo locutor Joaquim Furtado

1 comment Outubro 25, 2006

Nau de Vasco da Gama (ima)

S. Gabriel

Outubro 23, 2006

Bula Manifestis Probatum (doc)

“Alexandre, Bispo, Servo dos Servos de Deus, ao Caríssimo filho em Cristo, Afonso, Ilustre Rei dos Portugueses, e a seus herdeiros, in perpetuum.

Está claramente demonstrado que, como bom filho e príncipe católico, prestaste inumeráveis serviços a tua mãe, a Santa Igreja, exterminando intrepidamente em porfiados trabalhos e proezas militares os inimigos do nome cristão e propagando diligentemente a fé cristã, assim deixaste aos vindouros nome digno de memória e exemplo merecedor de imitação. Deve a Sé Apostólica amar com sincero afecto e procurar atender eficazmente, em suas justas súplicas, os que a Providência divina escolheu para governo e salvação do povo. Por isso, Nós, atendemos às qualidades de prudência, justiça e idoneidade de governo que ilustram a tua pessoa, tomamo-la sob a protecção de São Pedro e nossa, e concedemos e confirmamos por autoridade apostólica ao teu excelso domínio o reino de Portugal com inteiras honras de reino e a dignidade que aos reis pertence, bem como todos os lugares que com o auxílio da graça celeste conquistaste das mãos dos Sarracenos e nos quais não podem reivindicar direitos os vizinhos príncipes cristãos. E para que mais te fervores em devoção e serviço ao príncipe dos apóstolos S. Pedro e à Santa Igreja de Roma, decidimos fazer a mesma concessão a teus herdeiros e, com a ajuda de Deus, prometemos defender-lha, quanto caiba em nosso apostólico magistério”.

23 de Maio de 1179

Add comment Outubro 22, 2006

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